V Curso Multidisciplinar de Fitoterapia - 19º. CONGREFITO – 2014.

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Sem receita médica (Folha de S. Paulo -Equilíbrio) 

Riscos de automedicação incluem os remédios de venda livre; veja cuidados que devem ser tomados com medicamentos como antigripais, analgésicos, colírios e descongestionantes. Caminhar por uma farmácia grande, daquelas com muitas prateleiras ou gôndolas, tem o efeito de passear num shopping ou num supermercado: funciona como um convite para encher a cestinha com comprimidos para dor de cabeça, para indigestão, para descongestionar o nariz num desses dias secos ou para uma eventual irritação nos olhos. A sacola sai recheada de remédio que, apesar de serem vendidos livremente, não são inofensivos. A automedicação é arriscada também com os produtos que não exigem receita medica. "Sabemos que 40% das intoxicações são resultado do uso incorreto de medicamentos - incluindo os de venda livre", alerta Raquel Rizzi Grecchi, presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. Segundo ela, o Conselho está discutindo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a necessidade de esses remédios irem para junto daqueles que necessitam de receita médica - nas prateleiras atrás do balcão. "Há pessoas com restrição a componentes, remédios que dão reações se tomados com outros, substâncias que mascaram ou agravam doenças", diz, lembrando que a medida faria com que o consumidor tivesse a oportunidade de receber esse tipo de orientação dos farmacêuticos. Na semana passada, nos Estados Unidos, um comitê da FDA (Food and Drug Administration), órgão do governo que regulamenta o mercado de medicamentos, sugeriu que remédios contra resfriados (antigripais) e contra tosse vendidos sem receita não funcionam em crianças abaixo de seis anos e deveriam ser submetidos a mais estudos. Enquanto a eficácia é discutida, os efeitos adversos desses medicamentos já são conhecidos.  

Antialérgicos

Se uma reação alérgica é desencadeada pela presença de ácaros no carpete, não adianta se entupir de antialérgicos sem cortar o mal pela raiz. A medicação é um paliativo, mas não resolve o problema. "Eventualmente, ela será indicação em um processo agudo, mas é preciso ir atrás das causas do processo alérgico", diz Peter Liquornik, membro do departamento científico de pediatria ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria. Um dos efeitos adversos que os antialérgicos podem causar é a sonolência. "Por isso, cuidado para não se medicar e sair dirigindo", alerta. A locutora Letícia Beringhs Barone, 26, tentou durante três anos combater suas crises de bronquite com antialérgicos de venda livre. "A automedicação mascarou um problema sério de pulmão e fui parar na UTI. Fiquei em coma por cinco dias", conta. Letícia teve broncoespasmo, uma crise forte de bronquite que a impedia de respirar direito. Hoje, ela usa um remédio preventivo com acompanhamento médico.  A farmacêutica Renata Mazza Haimoff, 27, também teve problemas com a automedicação. "Enquanto fazia uso dos antialérgicos por conta própria, eu costumava ter muito sono durante o dia. Cheguei também a sentir palpitações", relata, dizendo que, depois de ir ao médico, descobriu que a medida que acabaria com o seu problema seria adotar mudanças na alimentação.  Anti-histamínicos em geral não costumam ser indicados para idosos, que podem apresentar tontura, boca seca e escurecimento da visão, e para crianças, que costumam ficar mais estimuladas, levando a casos de hiperatividade e insônia. 

Descongestionantes 

É comum encontrar as pequenas e práticas embalagens em bolsas, cabeceiras ou mesas de trabalho. Imaginando que está tratando o problema, quem costuma usar descongestionante nasal pode estar contribuindo para o aparecimento de doenças no sistema respiratório, como sinusite crônica (infecção dos seios da face).  "O descongestionante é um vasoconstritor. Em contato com a parte interna do nariz, as gotas contraem as artérias e tiram o sangue do local", diz Richard Voegels, presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia. É nesse momento que surge a sensação de que a medicação "abriu" a via nasal.  Ao comprimir os vasos sangüíneos, as gotas de fato facilitam a passagem do ar, mas, assim que passa o efeito, o nariz fica cheio de sangue novamente. Às vezes, mais congestionado do que antes. "O que a pessoa faz? Vai correndo pingar o remédio de novo", alerta Voegels. Segundo ele, esse é o primeiro passo para se viciar nas gotinhas.  O uso freqüente faz com que os vasos se contraiam cada vez menos, o que leva o paciente a apostar em doses maiores nas aplicações seguintes para tentar alcançar o mesmo efeito. Uma possível conseqüência do mau uso do remédio é a rinite medicamentosa, uma inflamação que, em casos mais graves, chega a levar à perda do olfato.  A professora Ismênia Serra Machado, 27, pingou tanto descongestionante no nariz que teve a doença. "Eu usava o dia todo e criei uma necessidade psicológica. Quando chegaram a rinite e umas palpitações, procurei um otorrino, que me advertiu sobre as conseqüências do uso indevido." A utilização em excesso desse medicamento pode afetar ainda o coração. Os descongestionantes têm derivados da adrenalina em sua fórmula. Caindo na corrente sangüínea, a substância acelera a freqüência cardíaca e aumenta a pressão.  Exatamente por isso, esse tipo de medicamento não é recomendado para crianças, mulheres grávidas e hipertensos nem para quem tem glaucoma, problemas cardíacos e de próstata. Outro tipo de substância com efeitos nocivos à saúde são os conservantes, encontrados em vários medicamentos utilizados diretamente no nariz -inclusive nos descongestionantes. Estudo publicado na revista "Archives Otolaryngology Head Neck Surgery" mostrou que uma dessas substâncias (o cloreto de benzalcônio) pode causar crises de broncoespasmo e de asma e rinite medicamentosa. 

Analgésicos 

Aparentemente inocente, o uso diário de analgésicos -os campeões entre os remédios de venda livre, segundo o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo- pode transformar uma dor de cabeça em problema crônico.  "Quem tem dores esporádicas e começa a tomar muito esse medicamento corre o risco de ficar com dor todos os dias", alerta o neurologista Mario Peres, do hospital Albert Einstein. Peres chama a atenção para o fato de que muitos analgésicos contêm cafeína, podendo causar ansiedade e insônia. A falta de sono, não raramente, faz agravar o quadro de dor.  "O analgésico não é um tratamento para a cefaléia de nenhum nível. Ele serve, no máximo, como paliativo para amenizar dores esporádicas", diz Peres. Como esporádicos, ele define casos que aconteçam no máximo uma vez por mês. Acima dessa freqüência, é preciso fazer um tratamento preventivo, com orientação médica.  O perigo de dependência de analgésicos em pacientes com esse problema começa antes mesmo do aparecimento dos sintomas de uma nova crise. "Os pacientes tomam o remédio pelo simples medo de ter dor. É o que chamamos de cefalaugeafobia", diz o neurologista, que fez um estudo sobre o fenômeno.  A professora de inglês Débora de Lorenzo, 47, sofre com dores de cabeça desde os 22 anos. Quando percebeu que o excesso de analgésicos estava piorando as dores, procurou um médico.  "Foi uma surpresa quando descobri que a solução para a minha enxaqueca não estava no analgésico, mas no abandono dele, seguido de uma mudança nos hábitos alimentares e de sessões de terapia, que ajudam a controlar a minha ansiedade", conta. 

Antigripais e xaropes 

A primeira providência antes de tomar remédios para tosse, nariz escorrendo e dor de garganta é diferenciar gripe de resfriado. A gripe é uma doença que costuma, além de atingir o aparelho respiratório, causar dores musculares e febres altas. É causada pelo vírus influenza e costuma demorar uma semana para passar. Não existe remédio que combata o vírus -os medicamentos conhecidos como antigripais têm o objetivo de aliviar, na verdade, os sintomas semelhantes aos de resfriados, como indisposições, nariz entupido, dor de garganta e febre baixa.  Causado por mais de 200 tipos de vírus, o resfriado tem incômodos mais leves que os da gripe e demora até quatro dias para passar. Em razão da variedade de sintomas, as fórmulas desses medicamentos costumam ser compostas e unir analgésico, antitérmico, anti-histamínico e broncodilatador.  Como muita gente não sabe da presença da diversidade de componentes, o primeiro alerta dos médicos é para o risco de hiperdosagem. "Tem gente que, com o antigripal, toma um analgésico. Se a fórmula já traz essa substância, ingerir outro remédio com a mesma função pode acarretar problemas hepáticos", diz Peter Liquornik, da Sociedade Brasileira de Pediatria.  No caso de o comprimido ter também efeito anti-histamínico, há perigo de secura de mucosas (membranas que recobrem o aparelho respiratório). Com isso, a garganta e as vias nasais se irritam e começam a incomodar.  Já a presença do broncodilatador, além de ser dispensável para quem não tem asma brônquica ou bronquite, pode levar a taquicardias.  Quanto aos xaropes, segundo Paulo Olzon, clínico-geral e chefe da disciplina de clínica médica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), há dois tipos: um para fluidificar a secreção (usado nos casos em que o paciente tem muito catarro preso) e outro para inibir a tosse (indicado em crises agudas e recorrentes). "Mas, em alguns casos, a secreção aumenta em decorrência da irritação provocada pelo próprio medicamento", diz Olzon. Segundo Peper Liquornik, os xaropes podem mascarar alguns sintomas, permitindo que outras doenças evoluam. 

Anntiácidos 

Tomar um antiácido alivia os sintomas da indigestão em minutos. "O efeito é rápido, mas geralmente a azia volta, e será preciso tomar o efervescente outra vez", diz o clínico-geral Paulo Olzon. Ele explica que, apesar de o bicarbonato de sódio -um dos principais componentes da fórmula- promover a rápida neutralização da acidez no estômago, ele acaba favorecendo, como efeito secundário, a maior produção de ácido. "Quem toma antiácidos para qualquer coisinha pode começar com uma azia e terminar com uma gastrite", alerta o clínico-geral.  É preciso também ficar atento à presença de analgésicos na fórmula. Dependendo da composição, o efervescente não será recomendado para quem tem gastrite ou úlcera, já que pode irritar a mucosa do estômago e causar sangramento no aparelho digestivo.  Outro perigo está na reação que o antiácido pode provocar quando interage com outros medicamentos. Também por isso, não é recomendado para pessoas com hipertensão ou problemas cardíacos e renais. Para quem tem episódios esporádicos de indigestão, a recomendação é esperar o mal-estar passar. Se os sintomas se prolongarem por uma semana ou mais, o ideal é procurar um médico. 

Colírios 

Ele fica esquecido por tempos no armarinho do banheiro. Um belo dia, a vítima de uma irritação qualquer resolve aplicá-lo para amenizar a vermelhidão dos olhos. A prática, descrita por Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista do Instituto Penido Burnier e diretor médico do Banco de Olhos de Campinas, é mais comum do que se imagina.  Pesquisa coordenada por ele com 2.700 pacientes revela que a automedicação na oftalmologia ultrapassa 30% dos entrevistados. Durante o verão, quando há maior exposição à luz, à água do mar e ao cloro das piscinas, esse número chega a 45%.  "Isso acontece porque muita gente pensa que se trata de uma 'agüinha' qualquer", diz. Por serem vasoconstritores, os colírios podem levar a alterações cardíacas e elevação da pressão arterial. Neto explica que o colírio chega a ter quatro princípios ativos. O mais perigoso deles é o corticóide, que, quando utilizado indiscriminadamente, colabora para o desenvolvimento de doenças como a catarata e o glaucoma.  "Geralmente, essas complicações ocorrem depois de alguns anos do uso freqüente da medicação, mas são conhecidos casos de pessoas que chegaram a estágios graves com apenas três meses de uso contínuo", alerta.  Se pingar um colírio comum com regularidade já é perigoso, usar aqueles indicados para doenças específicas é pior ainda. "Quando uma pessoa asmática passa um colírio para glaucoma, por exemplo, ela pode desenvolver uma crise de asma", diz Neto, que explica que eles também podem causar sonolência e taquicardias.  Uma atitude comum constatada durante sua pesquisa foi o compartilhamento do mesmo colírio por membros de uma família. "Se um deles tiver colocado o vidrinho em contato com um olho com conjuntivite, todos os outros correrão o risco de ser infectados", afirma.  Outro detalhe que quase não é levado em conta é a validade. Mas é preciso ter cuidado: quando termina o prazo, o remédio começa a ficar cheio de bactérias.  A dica do especialista para quem quiser "limpar" os olhos é esquecer o colírio, que dilata a pupila e prejudica a visão de perto, e lavar abundantemente os olhos com água ou usar compressas de água mineral. 

 
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